TODD SOLONDZ- 27/06/05
Eternamente identificado como um diretor americano do cinema indie, Solondz fala nessa entrevista sobre seu último filme "Palindromes", um tipo diferente de filme. Para ele, "em tudo que eu faço sou limitado por minha experiência de vida, pelo que eu vejo no mundo, pela minha imaginação. Todas estas coisas são fatores em minhas limitações como um cineasta, no entanto dentro dessas limitações parece existir uma possibilidade infinita. É apenas uma questão de tentar chegar nas coisas por um ângulo diferente".

Com o lançamento de "Palindromes," o ícone do cinema indie Todd Solondz explora o terreno familiar com uma estrutura conceitual, fresca e fascinante. Utilizando múltiplos atores no mesmo papel, Solondz dá uma atenção especial à questão do equilíbrio e da complexidade que envolve uma tomada de decisão moral, colocando "Palindromes" como o filme-polêmica da hora. Desde sua estréia no circuito de festivais, o tema pró-vida/ pró-escolha do filme tem sido alimento para críticas pontuais e se tornado um argumento de discussões políticas. Mas um bate-papo com o cineasta revela porque a reação preliminar predominante pode ter errado o foco completamente. Com seu sotaque original, Solondz fala sobre a real capacidade de um filme afetar o público, porque acha que os seres humanos não evoluíram moralmente e ainda porque "Palindromes" é em seu núcleo "uma história do amor".

Interview tem o apoio de


"Palindromes"

iindieWIRE >> Muita coisa foi falada sobre o tema pró-vida/pró-escolha em "Palindromes" e muitos te cobraram uma posição sobre isso. O que você pensa dessa reação?

Todd Solondz: O filme não é dogmático. Eu estou ciente que algumas pessoas de esquerda o vêem como pró-vida, algumas da direita o vêem como pró-escolha. Isso tudo reduz muito sobre do que realmente o filme se trata. Veja o personagem de Ellen Barkin. Algumas pessoas acham que ela é uma mãe terrível, outras pessoas acham que ela é sensível. Eu acho que ela se considera uma pessoa que é anti-guerras, pró-controle de armas, pró-direitos dos gays etc. Mas então a vida real intervem, e tudo vira de cabeça para baixo. Sua filha de 13 anos chega em casa grávida. E não somente grávida, ela quer ter o bebê. O que você faz? É um dilema impossível e que para muitos é uma questão de perder ou perder, mas eu acho que isso fortalece a fibra moral de seu caráter. Eu acho que a personagem de Barkin falha ao tratar isso de maneira apropriada, mas acho que ela reconhece isto no final quando ela desaba e pergunta "Eu sou uma mãe terrível?" Ela está reconhecendo suas falhas e coloca nisso sua dignidade. Se existe uma posição, eu suponho que alguém poderia dizer que é a anti-anti-escolha, desde que se acredite mesmo na habilidade de escolher, filosoficamente falando. Meu objetivo não é confortar, mas explorar determinadas complexidades que são inerentes a isso tudo. Eu certamente não anunciaria minha posição porque se eu fizesse isso facilitaria muito para o público. É claro que tudo isto para mim é a questão central, mas no entanto o filme para mim funciona, um tanto ironicamente, como uma história de amor muito sensível, um tipo de amor incondicional, quase sublime, você poderia dizer. Há algo além do sexual que acena para ela. Esta necessidade de ter um bebê, não é literalmente assim.

iW: Ela diz logo no início que quer uma criança para que tenha sempre alguém que a ame?

TS: Sim, ela diz isso, e não é muito bem articulado, mas isso é uma daquelas coisas que você não pode articular facilmente. Algumas coisas, algumas necessidades que as pessoas têm são estranhas. Assim, enquanto por um lado existirem certas dificuldades - não poder ser uma mãe biológica – existem outras possibilidades que podem se realizar, possivelmente de uma maneira ainda maior... Adotar uma criança rejeitada é uma forma muito mais elevada de maternidade do que realmente dar a luz..

iW: Assim como você vê o personagem Mama Sunshine com relação à mãe de Barkin?

TS: Existem muitas características que oscilam entre Ellen Barkin e Mama Sunshine (interpretada por Debra Monk). Eu acho que no início existe muita frivolidade e uma leviandade na maneira que nós enxergamos Mama Sunshine. Mas em algum ponto, eu dou a ela uma certa gravidade. Ela diz que "não há nada que eu não faça para proteger estas crianças." E ninguém pode duvidar da integridade de sua missão mesmo que essa missão não obedeça a uma convicção religiosa ou ideológica.

iW: O mesmo pode ser dito para o personagem de Barkin?

TS: Existe um aspecto de espelho nisso tudo.

iW: Você diria que está interessado simultaneamente em pedir que o público re-examine sua própria opinião?

S: Num certo sentido. Quero dizer, pode um filme causar um efeito? Se puder teria que acontecer num sentido muito oblíquo e astuto de modo que o público não esteja completamente ciente do que ocorre. Por exemplo o filme de Michael Moore, “Fahrenheit 9/11”. Ele foi concebido especificamente para causar uma mudança, para alterar, de fato, uma eleição e a história. Alguém tem que questionar: o filme de fato alterou convicções, ele mudou alguém, e se mudou, a mudança foi no sentido que se pretendeu?

iW: "Palindromes," como a maioria de seus trabalhos, parece engajado com a idéia que as pessoas nunca mudam.

TS: É claro que é inegável que nós mudamos, mas existe uma parte de nós que é imutável. Pode haver um tipo de luta. Algumas pessoas se incomodam com a pergunta filosófica sobre a idade apresentada aqui. Certamente, se você for religioso você deve acreditar no livre arbítrio, caso contrário você não pode dar um passo de fé. Aqueles com visões mais ateístas vão olhar as coisas de outra maneira. Obviamente nosso código genético, nossa experiência de vida e a combinação randômica disso nos apresentam para a vida de tal maneira que nós imaginamos que podemos escolher entre Bush e Kerry. Mas naturalmente isto é uma ilusão, uma vaidade da escolha, já que nós não podemos escolher porque estamos determinados e moldados pela experiência de uma vida inteira. Porque como espécie nós certamente não estamos mais avançados do que nós éramos 5.000 anos atrás, moralmente falando. Leia o jornal todo dia. Eu não posso nos ver como sendo uma espécie melhorada. Meus filmes não podem competir com o que está na TV. Veja o caso de Terri Schiavo. O que poderia ser mais obsceno ou grotesco? Isto está lá no jornal de todo dia, e é muito mais cruel do que qualquer coisa que eu faça.

iW: Então você estava tentando literalizar esta perpetuação, escalando múltiplos atores de idades e raças diferentes para o mesmo papel?

TS: Eu posso falar sobre isso em muitos níveis diferentes. É naturalmente um conceito radical mas, para mim, foi muito emocionante. Certamente ele amarra esta noção de equilíbrio versus mudança. Você tem todas essas metamorfoses, ainda assim o personagem é uma constante. A mãe diz, "você sempre será você" e lá está ela no final com esta mesma necessidade. Qualquer um poderia ter tido um papel num episódio na vida dessa jovem inocente. Eu sabia que poderia haver alguma desorientação ou confusão, mas eu acho que o público sacou. E minha esperança é que o efeito cumulativo de todas estas atrizes seria maior do que se fosse só uma. Eu não faria o filme se houvesse apenas uma atriz.

iW: Por que o filme começa com o funeral de Dawn Wiener?

TS: Num sentido isso se encaixa quando vi que eu fazia um filme sobre nascimento, começando assim, mas foi um tipo de demarcação para mim. Foi isso então. Esse foi um tipo diferente de filme, e seguiu num sentido diferente. De um modo mais amplo: em tudo que eu faço - sou limitado por minha experiência de vida, sou limitado pelo que eu vejo no mundo, pela minha imaginação. Todas estas coisas são fatores em minhas limitações como um cineasta, no entanto dentro dessas limitações parece existir uma possibilidade infinita. É apenas uma questão de tentar chegar nas coisas por um ângulo diferente.

Por: Matthew Plouffe.
Tradução: Eduardo Garretto Cerqueira


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O diretor palestino fala sobre seu último trabalho "Intervenção Divina" e o que pretende com o seu cinema: "multiplicar as possibilidades de leitura das minhas imagens me dá prazer. Tanto quanto possível, eu tento desdobrá-las. É a democratização da imagem".

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A diretora escocesa do elogiado "Ratcatcher" fala sobre o seu último filme "Morvern Callar". Estrelado pela atriz inglesa Samantha Morton, para Ramsay o filme é sobre uma geração perdida e menosprezada, uma juventude sem cidadania.

:: Takashi Miike ::
O diretor japonês, conhecido por seus filmes de terror diz nesta entrevista sobre sua liberdade de criação e como o público é para ele um mistério.

:: Pedro Almodóvar ::
Nesta entrevista o diretor espanhol explica o complexo roteiro de "Fale Com Ela" e como se inspirou nas notícias de mulheres em coma. Fala também sobre solidão e comunicação e de como este filme, com cenas memoráveis, é sua antologia pessoal.

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Diretor dos polêmicos "Veneno" e "Safe" cai no mainstream com "Longe do Paraíso" acompanhando de sua musa, Julianne Moore, mas sem deixar o fôlego experimental. Aqui ele comenta sobre como encontrar emoção no artificial, ultrapassar baixos orçamentos e correr riscos.

:: Godfrey Reggio ::
O gigante solitário, Reggio, fala de seu novo filme que encerra a famosa trilogia Qatsi, "Nagoyqatsi", um contundente hino à técnica.

:: Claude Miller ::
Conhecido como o cineasta que sempre fala de crianças, e suas desventuras, o francês Claude Miller lança nos EUA, "Alias Betty". Nesta entrevista, Miller explica porque gosta da complexidade feminina, da personagem parecida com Patricia Highsmith, do quebra-cabeças que é seu novo filme.

::Raja Amari ::
Intelectualmente articulada, a tunisiana Raja Amari estréia na direção de longas com "Satin Rouge" - sobre uma dona de casa, víuva, que dá uma reviravolta na vida através da dança do ventre. Amari afirma que há uma tendência das mulheres cineastas fazerem filmes sobre mulheres.

:: Neil LaBute ::
Mestre das relações imponderáveis e frias em filmes como "Na Companhia de Homens", o diretor Neil LaBute sai da ótica sexista e cai no mainstream com o romântico "Possessão", com a holly girl, Gwyneth Paltrow.

:: Michel Gondry ::
Gondry, que já foi aclamado pelos seus originais videoclipes, estréia na direção com "Human Nature", um filme que mistura ingenuidade, perversões e realismo. Aqui ele fala sobre como faz uso do conceito da palavra estúpido, sobre Fritz Lang, e sobre seus personagens nojentos.

:: Zhang Yimou ::
O premiado diretor chinês revela como treinou a nova atriz, Don Jiez, para o papel de uma menina cega em seu filme, a comédia naturalista "Happy Times" e sobre seu dom de descobrir talentos como Gong Li. E ainda sobre sua fixação com o cinema e sua preferência por tragédias.

:: Julio Medem ::
O diretor basco, do conceituado "Os Amantes do Círculo Polar", fala nesta entrevista sobre o seu novo filme "Lucía y El Sexo": do processo de ensaio dos atores, de sua preferência por histórias circulares e das filmagens e a fotografia feitas com uma nova câmera digital.

:: John Sayles ::
O eclético diretor americano, que já dirigiu e escreveu tanto filmes sobre conflitos sindicais, raciais e sociais quanto sobre aliens, vêm trazendo sua originalidade para o cinema americano que para ele é marcado pela simplificação. Ele fala sobre seu último filme "Sunshine State".

:: Hal Hartley ::
Ícone do cinema indie americano, ele quase frustrou-se em sua tentativa de mergulhar no cinemão de grandes estúdios em "No Such Thing". Mas, ao contrário de muito diretores do mundinho independente, manteve-se firme em seu propósito de continuar sendo Hal Hartley.

:: Mira Nair ::
A diretora indiana que estudou teatro no ambiente intelectual de Harvard e transitou do documentário para a ficção para explorar a força aglutinadora da familía em "Um Casamento à Indiana" , filme vencedor do Leão de Ouro em Veneza 2001.

:: Peter Bogdanovich::
O diretor americano que nos últimos anos tem se dedicado mais a crítica e as pesquisas sobre o cinema lança "The Cat's Meow". O filme foi inspirado numa história contada por Orson Welles sobre William Hearst, seu barco, uma fim de semana e algumas figuras hollywoodinas...

:: Todd Field ::
Ele é um ator que dirige filmes há dez anos. Nesta entrevista ele fala sobre seu filme "Entre Quatro Paredes", que tem os atores principais Sissy Spacek e Tom Wilkinson concorrendo ao Oscar 2002.

:: Robert Altman ::
Em plena forma em seus 76 anos, o diretor americano tem recebido prêmios e elogios por seu último filme "Gosford Park". Além de receber o Globo de Ouro de Melhor Diretor e três prêmios no New York Film Critics, Altman não pára.

:: Michael Haneke ::
O diretor austríaco de "A Professora de Piano" revela: "uma das coisas mais importantes para um cineasta é usar a fantasia do espectador. O público tem que fazer suas próprias cenas, e qualquer coisa que eu mostre significa diminuir a fantasia do espectador".

:: Danis Tanovic ::
A experiência de fazer documentários na guerra da Iugoslávia ele aproveitou no seu primeiro longa de ficção: "Terra de Ninguém". O filme ganhou cerca de 15 prêmios internacionais e foi escrito em 14 dias, filmado em 26 e editado em 12.

:: Guillermo del Toro::
Ele já trabalhou de forma independente e para grandes estúdios. Sempre fazendo filmes de terror e ação como o último "A espinha do Diabo". E ele resume: "tudo que eu quero nesta vida é que as pessoas que não gostem de nada em meus filmes, culpem somente a mim por isso".

:: Richard Linklater ::
Ele dirigiu seguidamente dois filmes muito diferentes: "Waking Life" é uma viagem filosófica em animação e "Tape", um filme digital sobre a vingança e a traição. Nesta entrevista ele fala como é bom trabalhar num filme como se fosse o último.

:: Jean-Pierre Jeunet ::
Nem mesmo seu diretor entende o sucesso estrondoso de "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain". Para ele é apenas um pequeno filme com uma história positiva sobre a generosidade.

:: Patrice Chéreau ::
O diretor de "A Rainha Margot", fala de "Intimidade" seu polêmico e sexual novo filme premiado no Festival de Berlim. E mais sobre emoção, sexo, diálogo e como é trabalhar em inglês.

:: David Lynch ::
Um homem de bem com suas idéias, um dos mais originais cineastas da atualidade fala do abstrato, místico e estranho último filme: "Mulholland Drive".

:: Brad Anderson ::
Diretor de "Próxima Parada Wonderland", vendido para a Miramax em 98 por seis milhões de dólares, fala dos dois filmes absolutamente distintos que esta lançando: a comédia "Happy Accidents" e o suspense "Session 9".

:: Alison Anders ::
A diretora indie americana utilizou sua própria experiência para fazer um filme sobre estupro. O filme é "Things Behind the Sun", foi feito em digital e estreou no último Festival de Sundance.

:: Kiyoshi Kurosawa ::
O diretor cult mistura estilos e faz uma espécie de novo gênero de terror japonês. Seu filme “Cure” de 1997 está sendo considerado um dos melhores lançamentos de 2001 nos EUA.

:: Tom Tykwer ::
O diretor, escritor e compositor alemão, autor do badalado "Corra, Lola, Corra", fala de seus filmes "The Princess and the Warrior" e de "Heaven", baseado num roteiro do mestre Krzysztof Kieslowski.

:: Tran Anh Hung::
Com sua conversa mansa, o super-articulado diretor vietnamita fala sobre seu último filme "As Luzes de um Verão". Além disto, conta sobre suas ecléticas fontes de inspiração, sobre o que o separa de Wong Kar-wai, e sobre sua identidade nacional, ou a falta dela.

:: Peter Greenaway ::
Numa entrevista bombástica o diretor inglês fala sobre seu último filme "8 Mulheres e Meia", sobre o puritanismo americano, necrofilia, e muito mais.

:: Allan Cumming & Jennifer Jason Leigh ::
A dupla de atores dirige, atua e produz "The Anniversary Party", um filme sobre as dificuldades dos relacionamentos.

:: István Szabó ::
Diretor de "Mephisto" volta às telas com 100 anos de história húngara em "Sunshine".

:: Wayne Wang ::
Diretor consagrado abre o jogo e fala de pornografia, cinema digital, experimental e independente com base no seu esperado último filme "The Center of the World".

:: Christopher Nolan ::
Ele explica tudo sobre o filme cult do momento=MEMENTO.

:: Jafar Panahi ::
"O Círculo" de Jafar Panahi coloca mais uma vez em evidência cineastas iranianos e sua maneira humanista de abordar as coisas da vida.

:: Wong Kar-Wai ::
Diretor fala de seu último filme,"Amor à Flor da Pele", suas influências latinas e sobre o boom do cinema asiático no mundo.

:: Stephen Daldry ::
O inglês Daldry, que vem do teatro, estréia nos cinemas com o sucesso de Billy Eliot.

:: Amos Gitai ::
O diretor israelense ordena o caos em 'Kippur", seu mais recente filme.

:: Darren Aronofsky ::
Depois do indie "PI", ele está de volta com outro cult: "Requiem For a Dream".

:: Lars Von Trier ::
Ele se revela na escuridão falando de "Dancer in The Dark".

:: François Ozon ::
O cinema sobre a perversidade do francês Ozon.

:: John Waters ::
Expert em auto-promoção, ele é uma espécie de dândi pós-moderno que agrada grandes estúdios mas preserva a alma indie. Fala de "Cecil B. Demented".

:: Abbas Kiarostami ::
"O Vento nos Levará": diretor iraniano nos dá esperança.

:: Zhang Yang ::
Novo expoente do cinema asiático, fala de "Banhos".

:: Alison Maclean ::
Diretora canadense é aclamada com seu filme " O Filho de Jesus" que traz atores revelação.