ROBERT ALTMAN
Em plena forma em seus 76 anos, o diretor americano tem recebido prêmios e elogios por seu último filme "Gosford Park". Além de receber o Globo de Ouro de Melhor Diretor e três prêmios no New York Film Critics, Altman não pára. Nesta entrevista ele mostra toda sua experiência e estilo.

"Eu procuro gêneros que não tenha feito antes. Se eu apenas continuar me repetindo, acho que provavelmente vou começar a chegar tarde ao trabalho", diz Robert Altman. Depois de "Gosford Park" ganhar três prêmios do New York Film Critics, incluindo o de melhor diretor, o cineasta de 76 anos está particularmente de bom humor. Depois do sofrível "Dr. T e as Mulheres" ele está de volta com o sublime "Gosford Park", filme que está no mesmo nível de "O Jogador" e "Short Cuts". "Gosford Park" é tudo: filme de suspense, de assassinato, de mistério, sátira social. Enfim, pertence ao gênero altmaniano. Nesta entrevista Robert Altman fala sobre elenco, montagem e prêmios.

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"Gosford Park"

indieWIRE>> Parabéns pelos prêmios do New York Film Critics. (*NE:A entrevista foi concedida antes da entrega do Globo de Ouro, em que Robert Altman recebeu o Prêmio de Melhor Diretor).

Robert Altman>> Obrigado. Foi uma grande surpresa. Nós ganhamos três. (Além de Melhor Diretor, o filme ganhou prêmios de roteiro para Julian Fellowes e atriz coadjuvante para Helen Mirren).

iW>> O que você acha desta época do ano quando são concedidos os prêmios?

Altman>> Bem, isto é muito muito importante para a vida e para o sucesso do filme. Você pode fazer muitos anúncios e conseguir boas críticas, mas quando começam a colocar fitas azuis na coisa...você consegue mais espaço nos jornais, e pessoas como você começam a me telefonar mais.

iW>> Este é o terceiro prêmio do New York Film Critics que você recebe. Você acha que, em termos dos filmes escolhidos pelos críticos, estes são o que melhor representam seu trabalho?
Altman>> Não necessariamente. Penso nos meus filmes como meus filhos e você tende a gostar mais dos seus filhos menos bem sucedidos. Você me diz qual o filme que você menos gosta e eu te falo as razões porque ele é o meu favorito.

iW>> E como você sente que "Gosford Park" se encaixa no corpo do seu trabalho?

Altman>> Acho que ele está bem ali no topo. Acho que realizamos o tipo de filme que estávamos tentando fazer. O elenco que tivemos, tinha que me beliscar para ter certeza que todos os atores estavam trabalhando neste filme. Foi um tempo maravilhoso, o melhor que já tive num filme.

iiW>> Explique como o processo de escolha do elenco funciona em um de seus filmes.

Altman>> Nós simplesmente começamos e o processo cresce espontaneamente. Num filme como este, onde existem tantos personagens, cada pessoa nova que é escolhida impõe todas as outras escolhas do elenco.

iW>> Qual foi o primeiro ator da fila escolhido para "Gosford Park"?

Altman>> Acho que Kelly Macdonald foi a primeira, então provavelmente Maggie Smith, depois Kristen Scott Thomas e Alan Bates e Derek Jacobi e por aí vai.

iW>> Você tinha alguns deles em mente durante a concepção?

Altman>> Você sempre pensa em atores enquanto escreve, mas são pensamentos vagos. Quando você realmente consegue alguém, isto amarra as possibilidades para todos os outros papéis. No momento que você consegue a trigésima pessoa, a última pessoa, isto se transforma num daqueles quebra-cabeças em que cada peça tem que se encaixar perfeitamente. Tenho que ter muito cuidado para que os atores não se misturem uns com os outros para o público. Em outras palavras, se tenho um cara alto, então procuro uma cara baixo. Se já contratei uma ruiva, então procuro uma loura. Foi um grande processo de escolha, mas quando finalmente ele se junta, a maior parte do meu processo criativo num filme está pronta.

iW>> O filme inglês de mistério e assassinato é um gênero muito particular. Existe obviamente alguma coisa nos gêneros dos filmes que te atrai pessoalmente, mesmo que você o despreze em algum ponto.

Altman>> Eu não sou muito criativo, é isso. Eu falo "Bem, nunca fiz um thriller" e esta declaração se transforma em "The Gingerbread Man". E com "Gosford Park", era o filme de mistério e assassinato. A razão de ter escolhido uma peça britânica, quando Bob Balaban [que produziu, atuou e concebeu a idéia com Altman] e eu começamos, foi quando disse "Nunca fiz um filme de mistério antes, como "Os Dez Negrinhos" de Agatha Christie." Naquele momento, o gênero e a locação estavam definidos.

iW>> Você disse que gosta de mudar de gêneros. Você acha que em algum ponto do filme você acabe desprezando estes gêneros?

Altman>> Certamente. Eu utilizo toda a informação sobre um gênero que o público já tem. Eu sei que eles têm uma certa quantidade de expectativa, num nível confortável. E eu apenas tento subir alguns degraus, tipo "sim, o gênero é esse, mas você nunca viu isto desta maneira antes".

iW>> E este filme não se torna realmente um filme de mistério e assassinato até a metade.

Altman>> Não é um filme de mistério na verdade. O filme é sobre muitas outras coisas, mas um assassinato por acaso acontece ali. Nós sempre soubemos que não queríamos os elementos de mistério e assassinato como principais.

iW>> Este grande conjunto de peças deve ser mais difícil de se lidar, do que digamos um pequeno drama intimista.

Altman>> Eu acho que é mais fácil. Se alguma coisa não funciona, você sempre tem algo para tirar fora. Estes trabalhos com dois ou três personagens são mais difíceis porque você tem que segurar a atenção do público com apenas aqueles elementos em cena o tempo todo. É realmente o caso de que o tamanho da tela determina o tamanho da pintura. Olho para essas coisa mais como um mural do que novelas ou histórias. Só de juntar o elenco certo já são 85%.

iW>> Sei que no passado você disse que era muito preguiçoso para fazer o storyboard, como você consegue cobrir todos estes grandes pedaços?

Altman>> Uso várias câmeras o que corta o trabalho pela metade. Se a cena mostra o que eu quero que mostre, então isso é tudo que eu filmo. Mas em "Gosford Park", não acho que fizemos mais do que seis takes, ou até menos.

iW>> E você não ensaia antes?

Altman>> Ensaiamos no set durante as filmagens, mas mais do que isso, não. Neste filme, tinha duas sessões separadas, uma de quatro horas com o pessoal "de cima". Era mais um almoço na verdade, tipo "estamos nos conhecendo", onde eu os apresentava para o pessoal do auxílio técnico, então eles tinham suas perguntas respondidas. Uma semana depois, fiz o mesmo com o pessoal "de baixo". Eles se dividiram em dois campos muito engraçados.

iW>> Isto foi intencional?

Altman>> Bem, sim, mas eu não sabia qual seria o resultado. Eu apenas sabia que o pessoal "de cima" tinha que contracenar entre si. Eles não tinham relação com os empregados, exceto o que se desenrolou depois. E vice versa. Acho que qualquer um teria feito da mesma maneira.

iW>> Muito se fez para manter a natureza de cima / de baixo do filme. Você acha que isto pode ser um tipo de declaração política?

Altman>> Tem muita política nisso é claro. Na virada do século, antes da Primeira Guerra Mundial, uma garota de quatorze anos que não tinha ninguém para tomar conta dela, ou virava uma empregada doméstica ou uma prostituta. Não era comum educar estas mulheres, não haviam empregos para elas. Em "Gosford Park" temos duas pessoas vivendo sob o mesmo teto, mas que socialmente não se relacionam entre si, exceto como patrão e empregado. Para este tipo de pessoa, ter empregados eram como ter animais de estimação em casa. E 1932 é o fim disso. Acho que mostramos de certa forma, a desagregação política deste sistema, embora existam reminescentes que estão lá até hoje. É verdade, se você for ao Palácio de Buckingham, você vai encontrar este tipo de relacionamento.

iW>> Você está com 76 anos agora. Algum plano para diminuir o ritmo?

Altman>> (risos) Não. Estou pronto para fazer um filme em Nova York, provavelmente no final de maio. Eu vou morrer com as minhas botas nos pés.

Por: Anthony Kaufman
Tradução: Eduardo Cerqueira


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O diretor palestino fala sobre seu último trabalho "Intervenção Divina" e o que pretende com o seu cinema: "multiplicar as possibilidades de leitura das minhas imagens me dá prazer. Tanto quanto possível, eu tento desdobrá-las. É a democratização da imagem".

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A diretora escocesa do elogiado "Ratcatcher" fala sobre o seu último filme "Morvern Callar". Estrelado pela atriz inglesa Samantha Morton, para Ramsay o filme é sobre uma geração perdida e menosprezada, uma juventude sem cidadania.

:: Takashi Miike ::
O diretor japonês, conhecido por seus filmes de terror diz nesta entrevista sobre sua liberdade de criação e como o público é para ele um mistério.

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Diretor dos polêmicos "Veneno" e "Safe" cai no mainstream com "Longe do Paraíso" acompanhando de sua musa, Julianne Moore, mas sem deixar o fôlego experimental. Aqui ele comenta sobre como encontrar emoção no artificial, ultrapassar baixos orçamentos e correr riscos.

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O gigante solitário, Reggio, fala de seu novo filme que encerra a famosa trilogia Qatsi, "Nagoyqatsi", um contundente hino à técnica.

:: Claude Miller ::
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:: Neil LaBute ::
Mestre das relações imponderáveis e frias em filmes como "Na Companhia de Homens", o diretor Neil LaBute sai da ótica sexista e cai no mainstream com o romântico "Possessão", com a holly girl, Gwyneth Paltrow.

:: Michel Gondry ::
Gondry, que já foi aclamado pelos seus originais videoclipes, estréia na direção com "Human Nature", um filme que mistura ingenuidade, perversões e realismo. Aqui ele fala sobre como faz uso do conceito da palavra estúpido, sobre Fritz Lang, e sobre seus personagens nojentos.

:: Zhang Yimou ::
O premiado diretor chinês revela como treinou a nova atriz, Don Jiez, para o papel de uma menina cega em seu filme, a comédia naturalista "Happy Times" e sobre seu dom de descobrir talentos como Gong Li. E ainda sobre sua fixação com o cinema e sua preferência por tragédias.

:: Julio Medem ::
O diretor basco, do conceituado "Os Amantes do Círculo Polar", fala nesta entrevista sobre o seu novo filme "Lucía y El Sexo": do processo de ensaio dos atores, de sua preferência por histórias circulares e das filmagens e a fotografia feitas com uma nova câmera digital.

:: John Sayles ::
O eclético diretor americano, que já dirigiu e escreveu tanto filmes sobre conflitos sindicais, raciais e sociais quanto sobre aliens, vêm trazendo sua originalidade para o cinema americano que para ele é marcado pela simplificação. Ele fala sobre seu último filme "Sunshine State".

:: Hal Hartley ::
Ícone do cinema indie americano, ele quase frustrou-se em sua tentativa de mergulhar no cinemão de grandes estúdios em "No Such Thing". Mas, ao contrário de muito diretores do mundinho independente, manteve-se firme em seu propósito de continuar sendo Hal Hartley.

:: Mira Nair ::
A diretora indiana que estudou teatro no ambiente intelectual de Harvard e transitou do documentário para a ficção para explorar a força aglutinadora da familía em "Um Casamento à Indiana" , filme vencedor do Leão de Ouro em Veneza 2001.

:: Peter Bogdanovich::
O diretor americano que nos últimos anos tem se dedicado mais a crítica e as pesquisas sobre o cinema lança "The Cat's Meow". O filme foi inspirado numa história contada por Orson Welles sobre William Hearst, seu barco, uma fim de semana e algumas figuras hollywoodinas...

:: Todd Field ::
Ele é um ator que dirige filmes há dez anos. Nesta entrevista ele fala sobre seu filme "Entre Quatro Paredes", que tem os atores principais Sissy Spacek e Tom Wilkinson concorrendo ao Oscar 2002.

:: Robert Altman ::
Em plena forma em seus 76 anos, o diretor americano tem recebido prêmios e elogios por seu último filme "Gosford Park". Além de receber o Globo de Ouro de Melhor Diretor e três prêmios no New York Film Critics, Altman não pára.

:: Michael Haneke ::
O diretor austríaco de "A Professora de Piano" revela: "uma das coisas mais importantes para um cineasta é usar a fantasia do espectador. O público tem que fazer suas próprias cenas, e qualquer coisa que eu mostre significa diminuir a fantasia do espectador".

:: Danis Tanovic ::
A experiência de fazer documentários na guerra da Iugoslávia ele aproveitou no seu primeiro longa de ficção: "Terra de Ninguém". O filme ganhou cerca de 15 prêmios internacionais e foi escrito em 14 dias, filmado em 26 e editado em 12.

:: Guillermo del Toro::
Ele já trabalhou de forma independente e para grandes estúdios. Sempre fazendo filmes de terror e ação como o último "A espinha do Diabo". E ele resume: "tudo que eu quero nesta vida é que as pessoas que não gostem de nada em meus filmes, culpem somente a mim por isso".

:: Richard Linklater ::
Ele dirigiu seguidamente dois filmes muito diferentes: "Waking Life" é uma viagem filosófica em animação e "Tape", um filme digital sobre a vingança e a traição. Nesta entrevista ele fala como é bom trabalhar num filme como se fosse o último.

:: Jean-Pierre Jeunet ::
Nem mesmo seu diretor entende o sucesso estrondoso de "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain". Para ele é apenas um pequeno filme com uma história positiva sobre a generosidade.

:: Patrice Chéreau ::
O diretor de "A Rainha Margot", fala de "Intimidade" seu polêmico e sexual novo filme premiado no Festival de Berlim. E mais sobre emoção, sexo, diálogo e como é trabalhar em inglês.

:: David Lynch ::
Um homem de bem com suas idéias, um dos mais originais cineastas da atualidade fala do abstrato, místico e estranho último filme: "Mulholland Drive".

:: Brad Anderson ::
Diretor de "Próxima Parada Wonderland", vendido para a Miramax em 98 por seis milhões de dólares, fala dos dois filmes absolutamente distintos que esta lançando: a comédia "Happy Accidents" e o suspense "Session 9".

:: Alison Anders ::
A diretora indie americana utilizou sua própria experiência para fazer um filme sobre estupro. O filme é "Things Behind the Sun", foi feito em digital e estreou no último Festival de Sundance.

:: Kiyoshi Kurosawa ::
O diretor cult mistura estilos e faz uma espécie de novo gênero de terror japonês. Seu filme “Cure” de 1997 está sendo considerado um dos melhores lançamentos de 2001 nos EUA.

:: Tom Tykwer ::
O diretor, escritor e compositor alemão, autor do badalado "Corra, Lola, Corra", fala de seus filmes "The Princess and the Warrior" e de "Heaven", baseado num roteiro do mestre Krzysztof Kieslowski.

:: Tran Anh Hung::
Com sua conversa mansa, o super-articulado diretor vietnamita fala sobre seu último filme "As Luzes de um Verão". Além disto, conta sobre suas ecléticas fontes de inspiração, sobre o que o separa de Wong Kar-wai, e sobre sua identidade nacional, ou a falta dela.

:: Peter Greenaway ::
Numa entrevista bombástica o diretor inglês fala sobre seu último filme "8 Mulheres e Meia", sobre o puritanismo americano, necrofilia, e muito mais.

:: Allan Cumming & Jennifer Jason Leigh ::
A dupla de atores dirige, atua e produz "The Anniversary Party", um filme sobre as dificuldades dos relacionamentos.

:: István Szabó ::
Diretor de "Mephisto" volta às telas com 100 anos de história húngara em "Sunshine".

:: Wayne Wang ::
Diretor consagrado abre o jogo e fala de pornografia, cinema digital, experimental e independente com base no seu esperado último filme "The Center of the World".

:: Christopher Nolan ::
Ele explica tudo sobre o filme cult do momento=MEMENTO.

:: Jafar Panahi ::
"O Círculo" de Jafar Panahi coloca mais uma vez em evidência cineastas iranianos e sua maneira humanista de abordar as coisas da vida.

:: Wong Kar-Wai ::
Diretor fala de seu último filme,"Amor à Flor da Pele", suas influências latinas e sobre o boom do cinema asiático no mundo.

:: Stephen Daldry ::
O inglês Daldry, que vem do teatro, estréia nos cinemas com o sucesso de Billy Eliot.

:: Amos Gitai ::
O diretor israelense ordena o caos em 'Kippur", seu mais recente filme.

:: Darren Aronofsky ::
Depois do indie "PI", ele está de volta com outro cult: "Requiem For a Dream".

:: Lars Von Trier ::
Ele se revela na escuridão falando de "Dancer in The Dark".

:: François Ozon ::
O cinema sobre a perversidade do francês Ozon.

:: John Waters ::
Expert em auto-promoção, ele é uma espécie de dândi pós-moderno que agrada grandes estúdios mas preserva a alma indie. Fala de "Cecil B. Demented".

:: Abbas Kiarostami ::
"O Vento nos Levará": diretor iraniano nos dá esperança.

:: Zhang Yang ::
Novo expoente do cinema asiático, fala de "Banhos".

:: Alison Maclean ::
Diretora canadense é aclamada com seu filme " O Filho de Jesus" que traz atores revelação.